Reforma Tributária e impactos nos preços: como simular corretamente

Sovos
fevereiro 27, 2026

A Reforma Tributária inaugura uma nova etapa para o sistema fiscal do país. A partir de 2026, a substituição de tributos históricos por um modelo de IVA dual deve simplificar o cumprimento das obrigações, reduzir distorções e aumentar a transparência da carga tributária.

No entanto, essas mudanças também impactam diretamente a formação de preços de produtos e serviços. Empresas que não simularem corretamente esses efeitos podem comprometer margens, competitividade e previsibilidade financeira.

Mais do que uma questão contábil, a reforma se transforma em um tema estratégico para áreas de finanças, fiscal, pricing e planejamento.

 

O que muda com a Reforma Tributária

O novo modelo substitui PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois tributos principais: a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado entre estados e municípios. Ambos seguem a lógica do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), com não cumulatividade plena e possibilidade de crédito ao longo da cadeia.

Esse desenho tende a reduzir a complexidade do sistema atual, mas também altera a forma como o imposto incide em cada etapa da operação. Na prática, isso significa que a carga tributária pode se redistribuir entre setores, cadeias produtivas e tipos de serviço, modificando o custo real de produção e, consequentemente, o preço final.

 

Como os preços podem ser afetados

Os impactos da reforma não serão uniformes. Empresas que hoje acumulam créditos fiscais relevantes podem observar redução de custos e maior eficiência tributária. Já setores com baixa possibilidade de crédito -como muitos serviços- podem enfrentar aumento de carga e necessidade de repasse ao consumidor

Além disso, mesmo quando o tributo não incide diretamente sobre o produto final, mudanças nos insumos e fornecedores tendem a gerar efeitos indiretos em toda a cadeia. Isso significa que o preço pode variar não apenas por alterações internas, mas também pelo comportamento do ecossistema produtivo.

Estudos econômicos e análises de mercado já apontam que a reforma pode gerar diferenças importantes entre segmentos. Por exemplo:

  • Setores industriais com cadeias longas e maior geração de créditos tendem a se beneficiar da não cumulatividade plena
  • Empresas de serviços intensivas em mão de obra podem enfrentar aumento de carga efetiva
  • Negócios que operam com múltiplos estados sentirão impactos relevantes na transição do ICMS para o IBS
  • Cadeias com incentivos fiscais regionais podem sofrer reequilíbrios competitivos

Quando alíquotas, bases de cálculo ou regras de crédito mudam, o custo tributário embutido na operação também muda. Esse impacto reduz ou amplia margens e obriga as empresas a recalibrar preços para preservar rentabilidade.

Por isso, a Reforma Tributária não é apenas um tema fiscal; é uma variável central na estratégia de precificação.

 

Por que simular é essencial

Diante desse cenário, tomar decisões apenas com base em estimativas genéricas é arriscado. Cada empresa possui uma estrutura de custo, margem, cadeia de fornecedores e regime tributário específicos. Pequenas variações podem alterar significativamente o resultado financeiro

Simulações permitem antecipar como os novos tributos afetarão preços, margens e fluxo de caixa. Também possibilitam testar diferentes estratégias de repasse ao consumidor, avaliar a competitividade frente aos concorrentes e planejar ajustes graduais com maior previsibilidade.

Empresas que se anteciparem ganham tempo para adaptar contratos, rever estratégias comerciais e comunicar mudanças ao mercado com maior segurança.

 

Como fazer uma simulação correta na prática

Uma simulação confiável começa pelo levantamento detalhado de dados reais do negócio. É necessário mapear histórico de preços, impostos efetivamente pagos, composição de custos por produto e participação de cada insumo na cadeia. Sem essa base, qualquer projeção tende a ser superficial.

Com esses dados em mãos, o próximo passo é modelar cenários comparativos. O ideal é construir um cenário atual, refletindo o sistema tributário vigente, e compará-lo com projeções já considerando IBS e CBS.

A análise deve ser feita no nível mais granular possível -por produto, SKU ou tipo de serviço- considerando créditos gerados, tributos pagos em cada etapa e impactos na cadeia de fornecedores. Simulações baseadas apenas em médias podem mascarar distorções relevantes e levar a decisões equivocadas de pricing.

Muitas empresas também testam hipóteses conservadoras, moderadas e agressivas, avaliando como cada combinação impacta margens, demanda e posicionamento competitivo.

Outro aspecto essencial é considerar a elasticidade de preço. Nem todo aumento pode ser repassado integralmente ao consumidor sem perda de volume de vendas. Por isso, a análise deve integrar dados tributários com planejamento comercial e financeiro.

 

Boas práticas recomendadas

 Algumas ações ajudam a tornar o processo de simulação mais robusto, confiável e alinhado às decisões estratégicas do negócio.

  • Integrar dados fiscais, financeiros e comerciais em uma única fonte confiável: a consolidação de informações em um ambiente único evita divergências entre áreas e garante que as simulações reflitam a realidade operacional da empresa. 
  • Testar múltiplos cenários de tributação e precificação: a Reforma Tributária traz incertezas quanto a alíquotas efetivas e aproveitamento de créditos. Simular cenários distintos permite avaliar impactos variados em margens e competitividade.
  • Revisar políticas de crédito tributário e cadeia de fornecedores: como o modelo de IVA amplia a lógica de créditos ao longo da cadeia, a escolha de fornecedores passa a influenciar diretamente o custo tributário final.
  • Acompanhar atualizações regulatórias continuamente: a implementação será gradual e sujeita a regulamentações complementares. Monitoramento constante evita decisões baseadas em premissas desatualizadas.
  • Utilizar tecnologia especializada para automatizar cálculos: planilhas manuais dificilmente acompanham a complexidade de múltiplos tributos e cenários. Soluções tecnológicas reduzem riscos e aumentam a confiabilidade das análises.

 

O papel da tecnologia nesse processo

Com a digitalização do compliance fiscal no Brasil, realizar simulações manualmente em planilhas se torna cada vez menos viável. A complexidade do novo modelo exige cálculos consistentes, atualização frequente de regras e integração com sistemas de faturamento e ERP.

Soluções tecnológicas permitem centralizar dados, automatizar apurações, aplicar regras atualizadas para CBS e IBS e gerar cenários rapidamente. Isso transforma a área fiscal em um parceiro estratégico das decisões de pricing e planejamento financeiro.

A Reforma Tributária não afeta apenas o departamento fiscal: ela impacta diretamente a formação de preços, a rentabilidade e a competitividade das empresas. Simular corretamente esses efeitos deixa de ser uma boa prática e se torna uma necessidade estratégica.

 

Como a Sovos pode ajudar

Simular corretamente os impactos da Reforma Tributária exige mais do que planilhas. É necessário aplicar regras fiscais atualizadas, calcular tributos com precisão em cada operação e testar cenários de forma automatizada.

A Sovos oferece um motor de cálculo tributário integrado aos principais ERPs do mercado, capaz de aplicar regras sempre atualizadas para CBS e IBS, calcular tributos em tempo real por produto e operação e executar simulações comparativas entre o modelo atual e o novo sistema.

Com isso, as empresas conseguem estimar com maior precisão os impactos em custos, margens e preços, reduzir riscos de erros manuais e transformar a área fiscal em um parceiro estratégico das decisões de pricing e planejamento financeiro.

 

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A Sovos foi construída para resolver as complexidades da transformação digital dos impostos, com ofertas completas e interligadas para determinação de impostos, controles contínuos das transações, relatórios de impostos e muito mais. Os clientes da Sovos incluem metade das 500 maiores empresas da Fortune, bem como empresas de todos os tamanhos que operam em mais de 70 países. Os produtos SaaS e a plataforma proprietária Sovos S1 da empresa se integram com uma grande variedade de aplicações comerciais e processos de conformidade governamental. A Sovos tem funcionários em todas as Américas e Europa, e é propriedade da Hg e TA Associates.
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