A Reforma Tributária deixou de ser um plano de longo prazo para se tornar uma realidade operacional. Desde 1º de janeiro de 2026, ela já está impactando a forma como as empresas emitem documentos fiscais, calculam tributos e estruturam seus processos de compliance.
Mesmo com períodos de carência, validações flexibilizadas e uma fiscalização inicialmente orientativa, a reforma não está em espera. Ela já começou. E é justamente essa transição silenciosa — em que tudo parece funcionar, mas o modelo já mudou — que representa o maior risco para as organizações.
Esse foi o ponto central do primeiro webinar da nova série da Sovos, “Pilotando a Reforma Tributária”. Esta primeira edição, intitulada Reforma começou. E agora? foi conduzida por Giuliano Gioia, Diretor de Conteúdo Tributário, e Helton Arsênio, Gerente Sênior de Marketing de Produto. Ao longo da conversa, os especialistas mostraram que o desafio agora não é mais entender a teoria da reforma, mas executá-la com precisão técnica no dia a dia.
2026: O ano de testes
Se 2025 foi o ano do planejamento, 2026 é o ano de testes. As empresas já precisam trabalhar com novos layouts de documentos fiscais, novos grupos de informações de IBS e CBS, campos adicionais no XML e uma série de regras de validação que começam a moldar o novo padrão de reporte ao Fisco. Embora muitas penalidades ainda não estejam sendo aplicadas, os sistemas do governo já recebem, armazenam e analisam esses dados. Ou seja, o ambiente já é real.
Esperar a obrigatoriedade total para se adaptar pode significar descobrir falhas somente quando o faturamento estiver em risco.
Documentos fiscais eletrônicos na Reforma Tributária: o XML virou declaração fiscal
Um dos principais recados do webinar é que o papel do documento eletrônico mudou de patamar. Se antes a nota fiscal servia principalmente como registro da operação, agora ela se torna, na prática, uma declaração tributária em tempo real. O cálculo do imposto precisa nascer correto dentro do próprio XML, pois é a partir dessas informações que o governo fará cruzamentos, apurações assistidas e auditorias automatizadas.
Isso eleva drasticamente o nível de exigência técnica. Não se trata apenas de adicionar novos campos, mas de lidar com centenas de regras de validação, combinações de CST, novos códigos de classificação tributária, eventos fiscais inéditos e layouts mais detalhados.
Pequenos erros de formatação já são suficientes para causar rejeições.
Um exemplo citado no webinar ilustra bem esse cenário: uma alíquota informada como 0.1 pode ser rejeitada, enquanto 0.1000 é aceita. Detalhes mínimos passam a ter impacto direto na continuidade do faturamento.
A falsa sensação de segurança
A flexibilização anunciada pelo governo trouxe um alívio momentâneo, mas também criou um efeito colateral perigoso: a sensação de que ainda há tempo de sobra.
Segundo os especialistas da Sovos, essa é uma interpretação equivocada. O fato de um documento ser autorizado hoje não garante que ele esteja em conformidade. O Fisco continua monitorando as operações, cruzando informações e poderá cobrar inconsistências no futuro.
Na prática, 2026 deve ser encarado com muita seriedade. É o momento de validar cálculos, revisar parametrizações, simular cenários e ajustar processos. Quem deixar para reagir somente quando as penalidades forem aplicadas provavelmente já estará atrasado.
IBS, destino e uma nova complexidade geográfica
Entre todas as mudanças, a adoção do princípio do destino com o IBS tende a ser uma das mais disruptivas.
A tributação deixa de estar concentrada na origem e passa a depender do local de consumo. Isso exige que as empresas identifiquem corretamente o município do cliente, apliquem alíquotas potencialmente diferentes em milhares de localidades e mantenham cadastros extremamente precisos.
Esse novo modelo impacta não apenas a área fiscal, mas também precificação, logística, contratos e planejamento financeiro. Um erro de endereço ou de parametrização pode alterar completamente o valor do imposto devido.
É uma mudança estrutural que exige tecnologia preparada para lidar com variáveis geográficas em escala.
Novas exigências técnicas e novos setores no radar
Além do IBS e da CBS, a reforma traz uma série de transformações técnicas que ampliam ainda mais o escopo de adequação.
Entre elas estão a evolução dos layouts dos documentos eletrônicos, a criação de novos grupos de informações, eventos fiscais adicionais, revisões de créditos, mecanismos como split payment e até mudanças cadastrais relevantes, como o CNPJ alfanumérico.
Ao mesmo tempo, setores econômicos, como o de serviços de infraestrutura, que historicamente não tinham um nível tão alto de reporte eletrônico- como saneamento, gás, transporte aéreo, concessões rodoviárias e operações imobiliárias- passam a integrar esse novo ecossistema de documentação digital em tempo real. Para muitas empresas, isso significa estruturar processos praticamente do zero.
Do compliance reativo ao compliance em tempo real
No fundo, a reforma acelera uma transformação inevitável. O modelo baseado em controles manuais, planilhas paralelas e ajustes posteriores já não é suficiente. O novo ambiente exige automação, integração de dados e validação contínua.
O compliance deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser um componente crítico da operação do negócio. Qualquer falha pode interromper emissões, gerar retrabalho e afetar diretamente o caixa.
Mais do que nunca, tecnologia e inteligência fiscal deixam de ser suporte e passam a ser infraestrutura essencial.
Como a Sovos apoia a adequação à Reforma Tributária e automatiza o compliance fiscal
Diante desse cenário, a proposta da Sovos é atuar como parceira estratégica das empresas durante toda a transição.
A combinação de determinação e cálculo de tributos para o modelo antigo e o novo, mensageria fiscal de alta performance, gestão centralizada de documentos, recepção e validação automática, obrigações acessórias contínuas, eventos fiscais e recursos de analytics e inteligência artificial permite transformar o compliance em um processo integrado, previsível e escalável.
Mais do que atender exigências regulatórias, o objetivo é dar visibilidade e controle, permitindo simular impactos, reduzir riscos e tomar decisões com base em dados confiáveis.
Em um ambiente tão dinâmico quanto o brasileiro, isso faz toda a diferença entre reagir a problemas ou antecipá-los.
A hora de pilotar é agora
A principal mensagem do webinar é clara: 2026 não é um ano de espera, é um ano de preparação ativa.
Testar sistemas, revisar parametrizações, validar cálculos e ajustar processos agora é o que vai garantir estabilidade quando todas as validações e penalidades estiverem plenamente vigentes. A largada já foi dada. E quem começar a se mover cedo terá vantagem competitiva.
Quer entender em profundidade os impactos práticos da Reforma Tributária e como preparar sua operação? Assista ao webinar on demand “Pilotando a Reforma Tributária: a reforma começou. E agora?” e veja as orientações dos especialistas da Sovos para navegar esse novo cenário com segurança.
Se quiser saber mais, fale conosco. Estamos prontos para ajudá-lo.