Uma retrospectiva sobre como se preparar para a Reforma Tributária

Sovos
janeiro 29, 2026

Depois de um ano inteiro acompanhando, analisando e debatendo cada avanço da Reforma Tributária no Brasil, a série de webinars “Navegando pela Reforma Tributária”, promovida pela Sovos ao longo de 2025, terminou.

Mais do que um encerramento de ciclo, o webinar “Retrospectiva da Série Navegando pela Reforma e expectativas para 2026”, apresentado pelos experts da Sovos, consolidou aprendizados, esclareceu dúvidas críticas e deixou um recado claro para o mercado: a Reforma Tributária não é mais um projeto futuro: ela começa, de fato, agora.

Este artigo reúne os principais temas discutidos ao longo da série e aprofundados nessa retrospectiva final. Um conteúdo essencial tanto para quem acompanhou tanto os encontros em si quanto para quem precisa, neste momento, entender o que muda, por quê muda e como se preparar para a fase decisiva da transição.

 

O pano de fundo da Reforma Tributária: simplificação como eixo central

A Reforma Tributária nasce com um objetivo ambicioso: simplificar um sistema historicamente fragmentado, complexo e custoso para empresas e para o próprio Estado. Ao substituir uma multiplicidade de tributos por dois grandes impostos sobre o consumo -CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – o governo redesenha os fundamentos da tributação indireta no país.

Essa simplificação, no entanto, vai muito além do discurso. Ela se materializa em pilares estruturantes que alteram profundamente a lógica do sistema, como a criação de uma base ampla de incidência -na qual praticamente todas as operações passam a ser tributadas-, o fim dos conflitos históricos de competência entre entre estados e municípios na alíquota de ICMS e ISS e a consolidação do conceito de fornecimento, independentemente de se tratar de mercadoria ou serviço.

O que antes gerava disputas jurídicas recorrentes e interpretações divergentes passa a ser tratado de forma mais uniforme, com impactos diretos na maneira como as empresas estruturam suas operações, contratos, precificação e sistemas fiscais.

 

Cadastro único do contribuinte: o início da reorganização

Outro elemento estruturante da reforma é a evolução do cadastro fiscal. No modelo atual, as empresas precisam administrar múltiplas inscrições -CNPJ, inscrições estaduais e municipais-, o que gera redundâncias, inconsistências e elevado custo operacional.

Com a Reforma Tributária, avança-se para a criação de um cadastro único do contribuinte, associado ao IBS. Ainda em fase de implementação, essa mudança representa um passo fundamental para a racionalização do relacionamento entre contribuintes e Fisco, reduzindo sobreposições e preparando o terreno para uma fiscalização mais integrada, orientada por dados e por informações declaradas diretamente nos documentos fiscais.

 

O documento fiscal eletrônico como protagonista absoluto

Ao longo de toda a série Navegando pela Reforma Tributária, um ponto se mostrou incontestável: o documento fiscal eletrônico deixa de ser apenas uma obrigação acessória e passa a ocupar o centro do sistema tributário.

Com a reforma, todas as informações relevantes para a apuração dos tributos passam a ser declaradas por meio dos documentos fiscais eletrônicos (df-e). Mais do que isso, a legislação atribui a esses documentos caráter declaratório e de confissão de dívida. Na prática, ao emitir um documento fiscal com determinado valor de IBS ou CBS, o contribuinte reconhece formalmente aquele débito perante o Fisco.

Essa mudança altera profundamente a lógica operacional. Reduz-se drasticamente o espaço para ajustes posteriores, desaparece a prática de “emitir agora e corrigir depois” e ganha força um modelo baseado em eventos fiscais, que passam a ser o instrumento adequado -e esperado- para correções, ajustes e regularizações. A qualidade da informação na origem torna-se, portanto, um fator crítico de compliance. Outra consequência é a expectativa de que, com essa concentração de informações nos DF-es, e o processo de cashback gerado pelo split payment reduza a quantidade de obrigações acessórias que são enviadas periodicamente ao governo.

 

IBS e CBS a partir de 2026: obrigação legal x validação técnica

Um dos temas que mais geraram dúvidas ao longo de 2025 foi a obrigatoriedade de informar IBS e CBS nos documentos fiscais a partir de 2026. A publicação de Notas Técnicas flexibilizando as regras de validação trouxe alívio operacional, mas também abriu espaço para interpretações equivocadas.

É fundamental distinguir dois conceitos: A flexibilização técnica significa que o documento pode ser autorizado mesmo sem a validação dos campos de IBS e CBS. Já a obrigatoriedade legal permanece intacta: a legislação determina que essas informações devem constar nos documentos quando necessário.

A ausência das informações não elimina riscos de questionamentos futuros, autuações ou exigências de recolhimento. Em 2026, operar “no limite do permitido” pode se transformar rapidamente em passivo tributário.

 

Cálculo e determinação: o coração da simplificação

Embora o discurso da reforma destaque a simplificação, é no cálculo tributário que essa mudança se concretiza de forma mais tangível. O sistema atual é complexo não apenas pela quantidade de obrigações, mas sobretudo pela multiplicidade de regras de cálculo e exceções.

Com a Reforma Tributária, entram em cena novos códigos, como o CST e o C-Class Trib, que passam a funcionar como verdadeiros “tax codes”. A partir deles, torna-se possível determinar de forma padronizada a incidência de IBS e CBS, eventuais reduções de alíquota, hipóteses de suspensão e tratamentos específicos.

O resultado é um documento fiscal mais completo ponto de vista estrutural e muito mais estratégico. A correta determinação da tributação deixa de ser um ajuste posterior e passa a ser crítica desde a origem da operação.

 

Créditos, eventos fiscais e não cumulatividade plena

Outro avanço estrutural da reforma é a consolidação do princípio da não cumulatividade plena. Em um cenário B2B, toda aquisição relacionada à atividade econômica tende a gerar direito a crédito, reduzindo distorções históricas do sistema atual.

A grande mudança está na forma de gestão desses créditos. Ajustes que antes eram realizados na escrituração fiscal passam a ser feitos por meio de eventos fiscais, sempre vinculados a um documento e a um item específico. Esses eventos alimentam diretamente o novo modelo de apuração assistida, reduzindo intervenções manuais, aumentando a rastreabilidade e fortalecendo o controle por parte do Fisco.

 

2026: o verdadeiro ponto de inflexão da Reforma Tributária e um ano de testes

Embora muitos associem os grandes impactos da reforma a 2027 ou a fases mais avançadas da transição, o consenso entre os especialistas da Sovos é claro: 2026 é o ano mais crítico.

É em 2026 que as empresas precisam pilotar seus testes e passar a conviver simultaneamente com dois modelos tributários, que os sistemas precisam estar preparados para novos campos, códigos e eventos, e que o Fisco utiliza o período como um grande ambiente de validações, tanto para os contribuintes quanto para sua própria infraestrutura tecnológica.

A flexibilização das aprovações técnicas das transações surge, nesse contexto, como uma medida pragmática para evitar a paralisação das operações, e não como um adiamento da reforma. O aprendizado e os ajustes feitos em 2026 serão determinantes para os anos seguintes.

 

O que vem a seguir: split payment, apuração assistida e transparência

Olhando para os próximos anos, dois grandes marcos se destacam no horizonte da Reforma Tributária. O primeiro é o split payment, previsto a partir de 2027, no qual a segregação do valor do tributo ocorre no momento do pagamento financeiro. O segundo é a consolidação da apuração assistida, com o governo assumindo um papel mais ativo na consolidação de débitos e créditos a partir das informações declaradas nos documentos e eventos fiscais.

Esses avanços reforçam um princípio central da reforma: a transparência fiscal, com impactos diretos na formação de preços, no fluxo de caixa e na gestão financeira das empresas.

 

Novos documentos fiscais e novos setores no radar

A ampliação da base de incidência também traz novos segmentos para o universo dos documentos fiscais eletrônicos. Operações que antes não eram consideradas fato gerador passam a ser tributadas e documentadas digitalmente.

Setores como bens imóveis, água e saneamento, transporte aéreo, pedágio, gás e outros combustíveis entram definitivamente no radar do novo sistema. O movimento é claro: todas as transações economicamente relevantes passam a ser reconhecidas digitalmente, reforçando o papel do documento fiscal como pilar do modelo tributário.

 

Como as empresas devem se preparar agora

Diante desse cenário, a principal recomendação é clara: não tratar 2026 como um período de brincadeira. Embora a flexibilização das regras de validação possa dar a impressão de um início mais brando, a transição para o novo modelo tributário já está em curso, e exige decisões estruturais desde agora.

A preparação passa, necessariamente, por alguns eixos fundamentais:

  • Modernização dos ecossistemas fiscais
    A Reforma Tributária expõe as limitações de ambientes legados, altamente customizados e fragmentados. Em 2026, as empresas precisarão operar simultaneamente dois modelos tributários, lidar com novos campos, eventos fiscais e layouts de documentos, além de responder com agilidade a mudanças frequentes na regulamentação. Isso torna indispensável a evolução para plataformas mais flexíveis, escaláveis e preparadas para mudanças contínuas.
  • Centralização e padronização de dados
    A convivência entre o modelo atual e o novo modelo tributário, orquestração de múltiplos documentos fiscais sendo transacionados ao mesmo tempo, aumenta exponencialmente o risco de inconsistências quando os dados estão dispersos em múltiplos sistemas.
    Centralizar a determinação, o cálculo e a emissão de documentos fiscais passam a ser um fator crítico não apenas para o compliance, mas também para a governança e a confiabilidade das informações. A padronização reduz retrabalho, elimina controles paralelos e cria uma base sólida para análises mais avançadas.
  • Testes extensivos e contínuos
    2026 deve ser encarado como um grande ciclo de testes, tanto para as empresas quanto para o próprio Fisco. Validar cenários, exceções, reduções de alíquota, suspensões e tratamentos específicos é essencial para evitar rejeições futuras, riscos de autuação e impactos operacionais inesperados. Testar não é uma etapa pontual, mas um processo contínuo ao longo de toda a transição.
  • Capacidade de simular cenários até 2033
    A transição estendida até 2033 exige visão de longo prazo. As empresas precisam entender como a redução de incentivos fiscais, a evolução das alíquotas e a mudança para o princípio do destino impactarão seus preços, margens e fluxo de caixa. A capacidade de simular cenários futuros transforma o compliance em uma ferramenta estratégica de apoio à tomada de decisão.

Mais do que cumprir obrigações acessórias, as empresas que se destacarem serão aquelas capazes de transformar o compliance tributário em um ativo estratégico, conectando tecnologia, dados e inteligência fiscal para navegar com segurança -e previsibilidade- pela maior reforma do sistema tributário brasileiro nas últimas décadas.

 

A importância do apoio especializado

Nesse contexto de profunda transformação, a tecnologia fiscal deixa de ser apenas operacional e assume um papel estratégico. A Sovos atua como parceira das empresas no Brasil ao oferecer soluções preparadas para a convivência simultânea entre o modelo tributário atual e o novo sistema introduzido pela Reforma Tributária.

As soluções da Sovos permitem centralizar a determinação e o cálculo de tributos, adaptar rapidamente documentos fiscais eletrônicos aos novos layouts, campos e códigos exigidos para IBS e CBS, além de gerenciar eventos fiscais de forma estruturada e rastreável. Isso é essencial em um cenário em que o documento fiscal passa a ter caráter declaratório e qualquer inconsistência na origem pode gerar riscos relevantes.

Além disso, a Sovos apoia as empresas na realização de testes contínuos, na adaptação a mudanças regulatórias frequentes e na preparação para fases futuras da reforma, como a apuração assistida e o split payment. Ao combinar conhecimento regulatório local, tecnologia escalável e experiência global em compliance fiscal, a Sovos ajuda as organizações a transformarem a complexidade da transição em controle, visibilidade e segurança operacional.

 

2026 já começou

A retrospectiva da série Navegando pela Reforma Tributária deixa um recado inequívoco: a reforma entrou em sua fase mais decisiva. O ano de 2026 marca o início de uma transformação profunda na forma como o Brasil tributa, fiscaliza e documenta suas operações econômicas.

Nesse novo cenário, informação, tecnologia e preparo deixam de ser diferenciais — tornam-se requisitos básicos para navegar com segurança em um ambiente tributário que já está em  e aquecimento de motores. O momento pede testes e experimentações. É hora de acelerar e pilotar a Reforma.

Assista ao nosso webinar on demand e saiba mais!  Clique para acessar.

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A Sovos foi construída para resolver as complexidades da transformação digital dos impostos, com ofertas completas e interligadas para determinação de impostos, controles contínuos das transações, relatórios de impostos e muito mais. Os clientes da Sovos incluem metade das 500 maiores empresas da Fortune, bem como empresas de todos os tamanhos que operam em mais de 70 países. Os produtos SaaS e a plataforma proprietária Sovos S1 da empresa se integram com uma grande variedade de aplicações comerciais e processos de conformidade governamental. A Sovos tem funcionários em todas as Américas e Europa, e é propriedade da Hg e TA Associates.
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